Sedimentometria

Escrito por Rodrigo Esteves Ribeiro, sob orientação dos professores Alcino de Oliveira Costa e Iara Ferreira de Rezende Costa.


A expansão urbana e populacional e a intensiva agricultura em áreas rurais têm ocasionado alterações significativas no meio ambiente. Uma das consequências dessas modificações é a perda da qualidade dos recursos hídricos por diferentes fatores, dentre eles, a erosão das margens dos cursos de água. Em detrimento a isso ocorre um aumento na produção, transporte e deposição de sedimentos em uma bacia hidrográfica, formada por um conjunto de recursos hídricos, acarretando no assoreamento de rios, assoreamento de reservatórios de abastecimento de água e degradação das águas superficiais (CARVALHO, 2008).


A produção de sedimentos é o resultado da quantidade de material erodido na bacia vertente e no canal fluvial e transferido até uma seção do canal fluvial (WALLING, 1983; CARVALHO, 2008), e incluem tanto os sedimentos que são transportados em suspensão quanto os sedimentos de leito (CARDOSO, 2013). O aporte de sedimentos na bacia hidrográfica depende de inúmeros fatores que regulam os processos de produção e de transporte de sedimentos das áreas de vertente para a calha do rio (SANTOS, 2013). É entendido, que os fatores que interferem na produção de sedimentos são: o clima, as características fisiográficas e o uso e manejo do solo (MORGAN, 2005), e são, segundo Minella (2007), influenciados pela sua magnitude, ou seja, pela intensidade com que o solo é desagregado pela ação da precipitação e do escoamento superficial.


Figura 1 - Assoreamento nos rios da Bacia do Alto Paraguai

Fonte: RODRIGUES, 2018.


A relação do comportamento do sedimento e bacia hidrográfica depende diretamente das características da mesma, como tipo de rocha e solo, cobertura vegetal, declividade e regime de chuvas (CARVALHO, 2008).


A produção de sedimentos ocasiona uma série de problemas, entre eles destacam-se assoreamento dos rios e reservatórios e contaminação das águas superficiais. Os sedimentos são resultado dos processos de erosão, transporte, depósito e compactação. Dependem das características físicas da bacia hidrográfica e do uso e ocupação do solo. Estudar a produção de sedimentos em um rio é importante para estimar a quantidade e a origem dos sedimentos transportados e depositados em uma bacia hidrográfica, podendo assim, obter conhecimento da unidade de estudo e realizar um melhor planejamento e aproveitamento dos recursos hídricos.


Segundo o dicionário Estraviz, a sedimentometria é um Sistema de análise granulométrica baseado na observação da sedimentação de partículas num fluido, sob ação da gravidade.


Figura 2 - Transporte de sedimentos

Fonte: COUTO, 2019.


Nos estudos hidrossedimentométricos em uma bacia hidrográfica, ou seja, da produção de sedimentos, muitas variáveis são estudas como a precipitação, a descarga líquida, a descarga sólida de sedimentos em suspensão, de leito e de arraste, e a concentração de sedimentos em suspensão. Para isso é necessário a aplicação de métodos que obtenham dados representativos dos processos hidrossedimentológico e forneçam informações sobre suas características, quantidade de sedimentos transportados e indicação de fatores que influenciam na produção de sedimentos na região de inserção dessa bacia hidrográfica.


Os dados hidrossedimentométricos permitem:

  • Determinar a produção de sedimento das bacias com fisiografias distintas e uso do solo.

  • Correlacionar a distribuição temporal e espacial da concentração dos sedimentos nos cursos d´água.

  • Determinar áreas de erosão e deposição em sistemas de canais.

  • Estabelecer estudos quantitativos e qualitativos dos sedimentos.

  • Usar os dados obtidos nas propostas de estabilização de impactos e recuperação ambiental.


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Referências


CARDOSO, A. T. Estudos hidrossedimentológico em três bacias embutidas no município de Rio Negrinho-SC. 2013. Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2013.


CARVALHO, N. O. Hidrossedimentologia Prática. Rio de Janeiro: Interciência. 599 p. 2008.

FACULDADE DE GEOLOGIA – UERJ. Laboratório de Sedimentologia. Disponível em: https://www.fgel.uerj.br/site/labsed/. Acesso em: 28 abr. 2021.


COUTO, J. L. V. do. PEQUENA BARRAGEM DE TERRA. 2019. Disponível em: http://agronomos.ning.com/profiles/blogs/pequena-barragem-de-terra?id=3071024%3ABlogPost%3A316448&page=2. Acesso em: 28 abr. 2021.


MINELLA, J. P. G. et al. Identificação e implicações para a conservação do solo das fontes de sedimentos bacia hidrográficas. R. Bras. Ci. Solo, Viçosa, v. 31, n. 6, p. 1637-1646, 2007.


MORGAN, R. P. C. Soil erosion and conservation. Australia: Blackwell publishing. 3. ed. 304 p. 2005.


RODRIGUES, L. Assoreamento nos rios da Bacia do Alto Paraguai. 2018. Disponível em: https://ecoa.org.br/rios-da-bacia-do-alto-paraguai-estao-assoreando/. Acesso em: 28 abr. 2021.


SANTOS, C. G. Erosão hídrica e taxa de entrega de sedimentos na bacia hidrográfica semiárida do riacho exú, PE. 2013. Tese (Doutorado em Ciência do Solo) - Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife, 2013.


TEIXEIRA, L. C. Caracterização Hidrossedimentométrica De Uma Pequena Bacia Hidrográfica E Balanço Sedimentométrico No Reservatório Do Vacacaí Mirim. 2015. Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental) - Curso de Mestrado do Programa de Pós- Graduação em Engenharia Ambiental, Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS). Santa Maria - RS, Brasil, 2015.


WALLING, D. E. The sediment delivery problem. Journal of Hydrology, Amsterdam, v. 65, p. 209-237, 1983. Disponível em: http://www.wou.edu/las/physci/taylor/g473/ refs/walling_1983.pdf. Acesso em: 18 nov. 2007. doi: 0022-1694/83.

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