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Novas tecnologias na inspeção e manutenção predial

Escrito por Douglas Ramos Schaper, bacharelando em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)


A execução de manutenção preventiva, a durabilidade e conservação dos patrimônios público e privado, de forma efetiva, é um notável desafio do mundo contemporâneo. Com o crescimento do número de acidentes em edificações residenciais e comerciais no país, bem como a presença de fatos negativos de repercussão nacional, tais como o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, alertam para a importância da inspeção e manutenção predial.


Primeiramente, é preciso evidenciar a diferença entre esses dois conceitos. A manutenção limita-se a informações fornecidas pelo dono do empreendimento ou seu gestor, ao passo que a inspeção está relacionada com o conjunto de exames visuais para verificar a capacidade funcional da edificação. Assim sendo, a inspeção predial pode ser entendida como um check up que se faz da edificação, tendo como objetivo zelar pela boa qualidade predial e também pela saúde dos seus usuários (GOMIDE et al. 2020).


Normalmente, a atividade de inspeção é realizada por engenheiros civis e arquitetos, entretanto outras modalidades da engenharia podem ser chamados para compor a equipe (engenheiro mecânico, eletricistas, entre outros).

  1. APLICAÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS

A manutenção predial é um ramo da construção civil que possui considerável espaço para evolução em seus estudos e inovações, sendo que a adoção, o desenvolvimento e a implementação de novas tecnologias têm provocado grandes mudanças nesse ramo.


1.1 Utilização de Drones

Considerando o baixo custo de aquisição de alguns modelos, bem como a operação relativamente simples, os drones são ferramentas interessantes para a realização de registros fotográficos e acompanhamento da obra. Os drones são uma classe de aeronaves pilotadas remotamente, que oferece como principais benefícios a redução de custos e tempo com a locação e instalação de equipamento como andaimes, assim como a redução de exposição de trabalhadores em áreas de risco. Além do mais, eles têm a vantagem de poder levar consigo equipamentos como sensores infravermelhos, sensores térmicos, câmeras e radar.


As inspeções e acompanhamentos visuais e termográficos das edificações proporcionam uma infraestrutura com imagens referentes a soldas em estruturas metálicas, até em coletas termográficas com imagens referentes às radiações térmicas presentes em redes de instalações elétricas. Ele permite uma rápida coleta de dados para elaboração de um mapa com a localização, identificação e codificação das manifestações patológicas existentes. Com isso, é possível priorizar uma inspeção e manutenção corretiva naqueles locais com diagnóstico mais crítico.


Figura 1: Utilização de Drones em monitorização e inspeção de estruturas

Fonte: CREA - SE, 2019.

1.2 Sensores e a Internet das Coisas( IoT)


De acordo com a União Internacional de Telecomunicações, a Internet of Things (IoT) é uma infraestrutura global que habilita serviços avançados por meio da interconexão de objetos. Assim, objetos conseguem enviar e receber dados de forma a monitorar e atuar em situações, ambientes, equipamentos, entre outros, e verificar a variação de comportamentos, o que permite a automatização de processos.


Atualmente, com a IoT em conjunto com sensores, é possível acompanhar o funcionamento e comportamento de elevadores, bombas de hidráulica, sistemas de alarme de incêndio, geradores, equipamentos elétricos, sistemas a gás, sistema SPDA, entre outros, de forma constante e em tempo real e atualizado. Com isso, é possível elaborar informações que se conectam, geram análises e são utilizadas para criação de planos de ataque.


Um exemplo prático desse conjunto de redes de internet e sensores que também colaboram para a automação predial são câmeras que informam a contagem de pessoas presentes no local em tempo real, permitindo que a refrigeração e ventilação sejam adequadas à quantidade de pessoas e a temperatura do lugar no momento. Além disso, o sistema informa para o gestor e a equipe de manutenção predial o estado de saturação dos filtros de sistema de ar condicionado e suas condições de utilização.


1.3 BMS


A sigla BMS vem do inglês Building Management System, que, em português, pode ser traduzido como Sistema de Gestão Predial. Basicamente, ele funciona como um sistema computadorizado para controlar toda a parte elétrica e mecânica da edificação.


O seu sistema é formado por um software, um banco de dados e um conjunto de sensores interligados e integrados entre si. Assim, são espalhados sensores pelo edifício recolhendo informações que são enviadas em tempo real para o BMS, onde são armazenadas em um banco de dados e analisados pelo software para a tomada de decisões, alertas e ações por parte do gestor.

A vantagem é que o BMS pode monitorar e gerenciar grande parte dos serviços prediais, proporcionando uma visão geral de todas as operações em andamento ao administrador. Por meio do monitoramento remoto dos equipamentos elétricos, bombas de hidráulica, elevadores, entre outros, é possível que anormalidades sejam detectadas com antecedência, reduzem custos com manutenção e previne interrupções inesperadas das operações.


Figura 2: BMS na manutenção predial e automação

Fonte: ADKL Zeller.


REFERÊNCIAS


GOMIDE, Tito Lívio Ferreira et al. Inspeção predial total. 2020. Disponível em: https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=7yXXDwAAQBAJ&oi=fnd&pg=PT4&ots=IunMEdXjgp&sig=fef8-RvJkZntgtwfnrZf_Qr8wD4. Acesso em: 08 jun. 2022.


UNIÃO INTERNACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES. Iniciativa de Padrões Globais da Internet das Coisas. Disponível em: https://www.itu.int/en/ITU-T/gsi/iot/Pages/default.aspx. Acesso em: 09 jun. 2022


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