METODOLOGIA BIM E OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE 2021

Escrito por João Vitor Pereira de Deus sob orientação dos professores Alcino de Oliveira Costa Neto e Iara Ferreira de Rezende Costa.


Figura 01: BIM

Fonte: Halo Notoriedade Empresarial, 2020.


Nos dias atuais, com o mercado cada vez mais competitivo é necessário a busca de tecnologias para auxiliar no processo de industrialização e gerenciamento de obras. Nesse sentido, a Modelagem de Informação da Construção (BIM) é considerada um dos maiores avanços tecnológicos do setor da construção civil (SENA; FERREIRA 2015). A metodologia BIM é uma filosofia de trabalho que envolve engenheiros, arquitetos e construtores para elaboração de um modelo virtual para realização de orçamentos, cálculos, fases da construção e demais etapas (MENEZES, 2011).


Logo, o temo BIM – Building Information Modeling, ou Modelagem da Informação da Construção, deixou de ser um método de modismo adotado por poucos pioneiros e passou a ser a peça central do mercado de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC). A maioria das empresas líderes mundiais de arquitetura, engenharia e construção estão usando BIM em seus projetos (EASTMAN et al., 2011).


Não existe um consenso para definição de BIM. Entretanto, a maioria dos autores descreve a metodologia BIM como uma tecnologia que permite a criação de um modelo virtual e preciso da edificação a ser construída. A metodologia BIM permite a comunicação e a troca de dados, padrões e protocolos necessários no sistema, de forma que as equipes de desenvolvimento da edificação conversem entre si (COSTA, 2016).


O BIM é caracterizado como uma metodologia que permite a interação de pessoas e softwares envolvendo uma série de processos (ANDRADE; RODRIGUES, 2018), na qual permite uma mudança nos processos de projeções e construção na Engenharia Civil, pois transcende um modelo bidimensional para um modelo n-dimensional (SENA; FERREIRA, 2015).


A metodologia BIM traz consigo uma série de benefícios para os seus usuários. O fato do modelo ser criado totalmente em computadores permite que as informações contidas sejam todas vinculadas pelo BIM, o que facilita a sua leitura, interpretação e acesso.


O BIM permite, como objetivo final, uma maior lucratividade, segurança e sustentabilidade (CROTTY, 2012). Suas vantagens sobressaem os métodos tradicionais, permitindo uma redução de mão de obra, melhoria na elaboração dos projetos, progresso na execução das obras, redução de custos, permite a antecipação e a resolução de problemas antes que eles ocorram ou mesmo durante a construção da obra (SENA; FERREIRA, 2015).


Essa tecnologia traz consigo a capacidade de geração de quantitativos de materiais, cálculos, geração de cortes, elevações, vistas, perspectiva, compatibilização com a equipe especializada e sincronização automática. Isso torna a metodologia mais inteligente do que as demais (MASOTTI, 2014).


O uso do BIM traz benefícios desde a fase de concepção do empreendimento até a operação, por possibilitar uma visualização mais precisa do projeto, correções automáticas das mudanças feitas nele, geração automática dos desenhos 2D, compatibilização das diversas disciplinas do projeto, extração automática dos quantitativos, sincronização com o planejamento e melhor gerenciamento e operação das edificações. Quando implementado de maneira apropriada, o BIM facilita o processo de projeto e construção mais integrados que resulta em construções de melhor qualidade com custo e prazo de execução reduzidos” (EASTMAN et al., 2014, p. 1).


Esse sistema surgiu no Brasil nos anos 2000, desde então vem enfrentando resistência para ser implantado, já que decorridos 20 anos, diversas empresas ainda não adotaram essa ferramenta de trabalho. Isso se explica por alguns fatores tais como dificuldades na interação com parceiros, resistência às mudanças de métodos de trabalho e necessidade de mão de obra especializada. Além disso, o alto custo dessa implantação somado ao treinamento dos funcionários e a aquisição dos softwares, representa um dos principais fatores de resistência.


Em 17 de maio de 2018 foi assinado o decreto brasileiro n° 9. 377 que define os seguintes objetivos: difundir o BIM e seus benefícios, coordenar a estruturação do setor público para adoção do BIM, criar condições favoráveis para o investimento público e privado em BIM, estimular a capacitação em BIM, estipular parâmetros para compras e contratações públicas com uso do BIM, desenvolver a plataforma e a biblioteca nacional BIM (BRASIL, 2018, p. 2).


Há pouco, em 2 de abril de 2020, foi assinado o decreto brasileiro nº 10.306, que estabelece o uso do BIM a partir de 1 de janeiro de 2021, na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia realizada pelos órgãos e pelas entidades da administração pública federal.


A implantação da metodologia será realizada em três etapas. Em janeiro de 2021, a exigência de BIM se dará na elaboração de modelos em estruturas, hidráulica, aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) e elétrica para detecção de interferências, geração de gráficos e obtenção de quantitativos. Em janeiro de 2024, os modelos devem contemplar etapas das obras como planejamentos, orçamentos e execução. E em janeiro de 2028 deverá abranger todo o ciclo da obra e considerar atividades pós-obras (NAKAMURA, 2019).


Portanto, dada a obrigatoriedade da metodologia BIM através dos decretos estabelecidos pelo Governo Federal, o uso do mesmo se tornará comum no Brasil o que propiciará um grande avanço tecnológico na área de construção civil.


Diante disso, será preciso mão de obra especializada, que saibam avaliar e qualificar os modelos projetados, que consigam interpretar as informações, planejar e gerenciar obras e recursos, gerir custos e análises, para que dessa forma ocupem posições de liderança (KOELLN, 2015).





Referências

ANDRADE, L, C. P; RODRIGUES, R, A. V. A tecnologia BIM aplicada a compatibilização de projetos: Uma análise do caso do Centro de Convenções do UNIPAM. Rev. Perquirere. v. 15, n. 2. p. 234- 249, 2018.

BRASIL, Decreto n. 9.377, de 17 de maio de 2018. Dispões sobre a instituição da estratégia nacional de disseminação do Building Information Modelling. Casa Civil, Brasília, 2018.

COSTA, L. R. O uso do BIM como ferramenta na gestão da construção civil. 2016. Monografia (Especialização)-Curso em Construção Civil - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, jan. 2016.

CROTTY.R. The Impact of Building Information Modelling. SPON Press. New York (EUA), 2012.

EASTMAN, C. et al. Manual de BIM: um guia de modelagem da informação da construção para arquitetos, engenheiros, gerentes, construtores e incorporadores. Porto Alegre: Bookman, 2014.

KOELLN, F. P. Tecnologia BIM na construção civil: Composição de custo direto. 2015. 92 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)-Curso de Engenharia Civil - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegra, Junho, 2015.

MASOTTI, L, F. C. Análise da implantação e do impacto do BIM no Brasil. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação)-Curso de Engenharia Civil- Universidade Federal de Santa Cataria, Florianópolis, 2014.

MENEZES, G, L, B. B. Breve histórico de implantação da plataforma BIM. Cadernos de Arquitetura e Urbanismo. v. 18, n. 22. p. 153- 171,2011.

NAKAMURA. J. Plataforma BIM será exigida pelo Governo Federal a parti de 2021. Disponível em: . Acesso em: 01 mar. 2019.

SENA, T. S; FERREIRA, E, A. M. A aplicação da metodologia BIM para a compatibilização de projetos, 2015. 12 f. Monografia (Especialização)-Curso Engenharia Civil- Universidade Federal Bahia, Bahia, 22 de Jul 2015.

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