MAPEAMENTO DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

Escrito por Rodrigo Esteves Ribeiro sob orientação dos professores Alcino de Oliveira Costa Neto e Iara Ferreira de Rezende Costa.


Figura 1 - Mapa temático do uso e ocupação do solo de uma bacia hidrográfica

Fonte: Google Maps


Um mapeamento temático consiste basicamente na interpretação técnico-visual de características de ocupação e uso que uma determinada região apresenta. Esses mapeamentos podem ser abrangentes ou específicos, identificando diferentes tipos, tamanhos e tendências ocupacionais. Um mapeamento de uso e ocupação do solo é entendido como um processo técnico de análise e interpretação específica, realizado sobre imagens. Essas análises são realizadas por profissionais que possuem conhecimento e formação específica, além de se apoiarem em informações diversas sobre características regionais durante o processo de interpretação e classificação das imagens de satélite (SIMÃO; MORAES, 2011).


Para isso, são utilizadas técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto, combinadas com o Sistema de Informações Geográficas (SIG), aplicadas no mapeamento da ocupação e uso do solo. Essas técnicas desempenham um papel fundamental na compreensão das mudanças atuais e futuras da paisagem (MACHADO, 2020).


O uso e ocupação inadequados do solo podem comprometer a integridade das bacias hidrográficas (ARCOVA; CICCO, 1999; DONATIO et al., 2005). O desmatamento pode levar ao surgimento de feições erosivas e assoreamento dos rios e reservatórios. A impermeabilização do solo através da expansão urbana pode afetar a percolação das águas pluviais e o regime hídrico (CARVALHO et al., 2000), e a expansão agrícola extensiva pode causar a contaminação das águas por fertilizantes e agrotóxicos através do processo natural de lixiviação (MACEDO, 2004). Portanto, devido à importância dos recursos naturais presentes na Bacia e ao histórico de ocupação irregular, torna-se imprescindível que haja planejamento integrado do uso e ocupação do solo. A utilização do sensoriamento remoto na obtenção de dados relacionados ao uso e ocupação do solo para monitoramento e análises dos recursos naturais tem sido bastante difundida. Os sensores atualmente disponíveis possuem diferentes resoluções espaciais, espectrais, radiométricas e temporais, possibilitando maiores níveis de informação a serem extraídos dos dados (SANO et al., 2009).


Os mapas de uso do solo têm grande importância por demonstrarem a partir da interpretação de imagens de satélites as áreas ocupadas por pastagem, agricultura, vegetação natural nativa, cursos de rios e outras feições. Possibilitam também a indicação de áreas de risco ou aquelas que já foram intensamente degradas em determinada região, bem como a distinção entre variações ocorridas devido à transformação da paisagem e as provocadas pelo homem.


Moreira et al. (2015) enfatizam que o uso da terra, incluindo o tipo de vegetação e as atividades antropogênicas, afeta a produção de água. Esse fator é dos mais relevantes a ser considerado no manejo de bacias hidrográficas.


Os estudos de mapeamento do uso e ocupação do solo exercem também influência significativa sobre os recursos hídricos, uma vez que, dentre outros problemas, apontam o aporte de sedimentos no leito dos mananciais, o que altera a qualidade e sobretudo a disponibilidade da água no solo (ASSIS et al, 2014).


Figura 2 - Mapeamento de uso do solo de uma área semi-urbana da cidade de Salto (SP), seguida de sua imagem fonte (QuickBird 0,6 metro)

Fonte: SIMÃO; MORAES, 2011.


A análise do uso do solo consiste em buscar conhecer a forma com que área de interesse é utilizada, permitindo uma caracterização das interações antrópicas com o meio ambiente, se constituindo como uma representação espacial dessas interações. Essa análise pode ser usada como suporte às decisões de planejamento e ao desenvolvimento sustentável, uma vez que o espaço está em constante transformação devido às necessidades e atividades humanas.


A atualização dos Sistemas de Informações Geográficas (SIG) cada vez mais, permite a formulação de diagnósticos, prognósticos, avaliação de opções de ações manejos ambientais pelo fato de propiciar maior frequência na atualização de dados, agilidade no processamento e viabilidade econômica (CEREDA JUNIOR, 2006; VAEZA et al., 2010). Para Assis et al. (2014) os SIG é uma ferramenta de auxílio à análise espacial, tornando possível avaliar cenários geográficos com rapidez e consequentemente tornar mais ágil as tomadas de decisão.


Já disponível para todo o mercado nacional, as bases de dados de mapeamento de uso e ocupação do solo que utilizam imagens de satélite de alta resolução em seu desenvolvimento permitem que empresas gerem estudos amplos com detalhamento, uniformidade e precisão quanto aos dados utilizados, agregando conhecimento à realização de seus projetos, devido à riqueza de informações (SIMÃO; MORAES, 2011).


O mapeamento do uso atual e cobertura vegetal do solo, bem como o monitoramento de sua dinâmica, são etapas essenciais para a melhor compreensão dos padrões e processos de mudanças ambientais. Essas informações também subsidiam estudos mais detalhados sobre evolução de ecossistemas (Mendonça-Santos et al., 1997; Mendonça-Santos, 1999; Mendonça-Santos & Claramunt, 2001), dinâmica de sucessão de vegetação e mudanças de biomassa (Alves et al., 1997), sequestro de carbono e outros, para fins de planejamento e manejo sustentado dos recursos naturais.


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Referências

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ARCOVA, F. C. S.; CICCO, V. Qualidade da água de microbacias com diferentes usos do solo na região de Cunha, Estado de São Paulo. Scientia Forestalis, v.5, n.6, p.125-134, 1999.


ASSIS, J. M. O. et al. Mapeamento do uso e ocupação do solo no município de Belém de São Francisco – PE nos anos de 1985 e 2010. Revista Brasileira de Geografia Física, Recife, v.7, n.5, p. 859-870, 2014.


CARVALHO, N.O.; FILIZOLA JÚNIOR, N.P.; SANTOS, P.M.C.; LIMA, J.E.F.W. Guia de práticas sedimentométricas. Brasília: ANEEL, 2000. 154p.


CEREDA JUNIOR, A. Mapeamento da fragilidade ambiental na bacia do Ribeirão do Monjolinho – São Carlos – SP – Utilizando ferramentas de geoprocessamento. 2006. 110 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Urbana) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2006.


DONATIO, N. M. M.; GALBIATTI, J. A.; DE PAULA, R. C. Qualidade da água de nascentes com diferentes usos do solo na bacia hidrográfica do córrego Rico, São Paulo, Brasil. Engenharia Agrícola, v.25, n.1, p.115-125, 2005.


MACEDO, M. J. B. A influência do uso, da ocupação e da conservação do solo na qualidade da água de abastecimento: o caso da bacia hidrográfica do lago do Descoberto. 2004. 172f. Dissertação (Mestrado em Planejamento e Gestão Ambiental) - Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2004.


MACHADO, P. Mapa de uso e ocupação do solo: entenda sua finalidade de forma simplificada. 2020. Disponível: https://www.visaogeo.com.br/mapa-de-uso-e-ocupacao-do-solo-entenda-sua-finalidade-de-forma-simplificada. Acesso em: 24 fev. 2021.


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SANO, E.E.; ROSA, R.; BRITO, J.L.S.; FERREIRA, L.G; BEZERRA, H.S. Mapeamento da cobertura vegetal natural e antrópica do bioma Cerrado por meio de imagens Landsat ETM+. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, 14., 2009, Natal. Anais... Natal: INPE, 2009. p.1199-1206.


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VAEZA, R. F. et al. Uso e ocupação do solo em bacia hidrográfica urbana a partir de imagens orbitais de alta resolução. Floresta e Ambiente, Rio de Janeiro, v.12, n.1, p. 23-29, 2010. Disponível em: http://www.floram.org/files/ v17n1/v17n1a3.pdf. Acesso em: 24 fev. 2021.


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