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Como garantir os múltiplos usos da água diante da escassez?

Escrito por Gabryella Lucas Azevedo, bacharela em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e graduanda em Engenharia Civil pela mesma instituição.


De acordo com os dados da Agência Nacional de Águas (ANA) a demanda por uso de água no Brasil deve aumentar em 30% até 2030. Com o aumento da demanda a escassez da água será uma dificuldade a ser enfrentada. em geral, a escassez de água é definida como sendo o ponto em que o impacto de todos os usuários afeta o fornecimento ou a qualidade de água no âmbito das disposições institucionais vigentes e a procura de todos os setores, incluindo o meio ambiente, não pode ser plenamente satisfeita. Para que as necessidades continuem sendo supridas nas regiões afetadas pela escassez de água, os esforços deverão incidir sobre o uso eficiente de todas as fontes de água (águas subterrâneas, superficiais e de chuvas) e devem ser adotadas estratégias que maximizem o retorno econômico e social da alocação desse recurso.

Entre as alternativas apontadas para uma maior eficiência da água, está uma melhor gestão dos recursos hídricos, mediante a integração e otimização dos usos múltiplos. Assim, os recursos hídricos são otimizados, mediante o consumo racional e aceitável, devendo essa gestão maximizar, com critério de equidade, os benefícios econômicos, sociais e ambientais.

A gestão compartilhada dos recursos hídricos inclui necessariamente disciplina de uso, preservação da qualidade da água, controle de perdas e desperdícios e reciclagem. Para que o país não passe por crises hídricas no futuro, pesquisadores, empresas e órgãos públicos buscam soluções para evitar o desperdício através do aproveitamento da água da chuva, reuso, construções sustentáveis, dessalinização e despoluição para que a falta não se torne rotina.

Em um momento de mudanças climáticas e de escassez de água, a articulação do setor privado com governo, academia e entidades da sociedade civil torna-se essencial para garantir o abastecimento no futuro. Essas são algumas possibilidades voltadas às boas práticas no uso da água em diferentes regiões do Brasil.


  • Águas De Reuso

Água de reuso, portanto, seria uma água que pode ser reaproveitada, ela pode ser proveniente do banho, cozinha, processos de fabricação industrial e águas de infiltração. No Brasil, a água de reuso é utilizada apenas para fins não potáveis.

O reuso pode ser indireto e o direto. O reuso indireto é aquele em que a água é utilizada pelo homem e liberada novamente nos corpos hídricos sem ou com tratamento prévio. O reuso direto, por sua vez, é o uso planejado da água residuária, para tanto, são realizados tratamentos ou seja a água é captada de uma fonte já contaminada, num local um pouco mais abaixo de onde foram lançados os efluentes. Ou seja, a água utilizada no tratamento para o reuso é captada depois de lançada nos rios.

  • Dessalinização

De acordo com o professor da UNESP, Jefferson Nascimento de Oliveira, a dessalinização é o processo de remoção dos sais dissolvidos na água do mar ou nas águas salobras subterrâneas, produzindo água doce. O especialista lembra que há risco de contaminação ambiental pelos rejeitos do processo de dessalinização.

Não se trata de uma alternativa barata, principalmente por necessitar de grande quantidade de energia. Diante do alto custo, ela só é indicada em locais onde fontes de água doce são realmente escassas. Dentre as técnicas disponíveis para a dessalinização, destacam-se a osmose inversa, destilação multiestágios, dessalinização térmica e congelamento. O processo da dessalinização por osmose inversa, na qual a água passa por membranas filtrantes, é responsável, por exemplo, pelo abastecimento de água no Arquipélago de Fernando de Noronha há mais de uma década.

  • Captação De Água Da Chuva

O uso de água da chuva é caracterizado pela diminuição na demanda de água fornecida pelas companhias de saneamento, tendo como consequência a diminuição dos custos com água potável e a redução do risco de enchentes em caso de chuvas fortes. No ano passado, a captação de água da chuva foi incluída na legislação de águas do país.

No processo de coleta de água da chuva, são utilizadas áreas impermeáveis, normalmente o telhado. A primeira água que cai no telhado, lavando-o, apresenta um grau de contaminação bastante elevado e, por isso, é aconselhável que seja desprezada. A água armazenada deverá ser utilizada somente para consumo não potável, como em bacias sanitárias, em torneiras de jardim, para lavagem de veículos e para lavagem de roupas.

  • Despoluição

A despoluição dos recursos hídricos consiste em livrar as fontes de água de vários tipos de contaminantes, tornando a água própria para consumo. A despoluição de um rio ou lago deve envolver primeiro a eliminação das fontes de poluição. Depois disso, é necessária a aplicação de métodos que permitam remover os poluentes e resíduos que se encontram no local.

Uma tecnologia australiana de despoluição, The Water Cleanser, usa oligoelementos, ou microminerais essenciais para os seres vivos. Isso facilita com que as bactérias boas, que estejam no meio ambiente, se reproduzam de maneira exponencial, limpando a água poluída. A medida pode despoluir águas de rios, lagoas e bacias.

Um exemplo de despoluição é o rio Thames, no Reino Unido, cuja recuperação levou mais de 100 anos. Para tanto, foram feitas estações de tratamento de esgoto. Outro exemplo de rio despoluído é o Reno (que corta o continente europeu de sul a norte), recuperado em pouco mais de 20 anos. Atualmente, ambos apresentam grande quantidade de formas de vida aquática.

  • Transposição De Rios

A técnica permite que a água seja levada de um local para outro por meio de canais que desviam o curso dos rios, utilizando bombeamento artificial.

Segundo o Ministério da Integração Nacional, a transposição não desvia o leito do rio, somente o seu curso. Apesar de parecer uma estratégia simples, a transposição apresenta problemas como os impactos ambientais. O desmatamento, a desertificação e o alto custo com obras são os aspectos negativos da transposição.

Temos como exemplo a transposição do rio São Francisco, iniciada em 2007. A obra liga bacias hidrográficas de rios temporários do semiárido ao São Francisco para elevar a oferta de água no Nordeste.


Referências:

O USO MÚLTIPLO DA ÁGUA. Portal do agronegócio,2010. Disponível em:<https://www.portaldoagronegocio.com.br/ecologia/meio-ambiente/artigos/o-uso-multiplo-da-agua>. Acesso em 17 Jun. 22.

JADE, Líria; MATSUKI, Edgard; FERREIRA, Priscila. Soluções Sustentáveis Para O Uso Da Água. Disponível em : < https://www.ebc.com.br/especiais-agua/solucoes-hidricas/ >. Acesso em 17 Jun. 22.


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